30/10/2009

1980, O ANO DE RITA LEE


Afinal, é correto afirmar que 1980 foi o ano de Rita Lee? Presumo que não. Todos os anos são anos de Rita Lee. Ela faz sucesso desde a década de 1960, quando integrou o grupo Os Mutantes. Seu primeiro disco solo foi lançado em 1970, quando ainda era integrande do grupo. Desde então, Rita tem lançado disco atrás de disco. Mas, o apogeu da carreira ocorreu, sem dúvida, entre o final dos anos 70 e o início dos 80.
Em 1978, Rita lançou Babilônia, que foi seguido por Rita Lee (1979), Rita Lee (1980), Saúde (1981), Rita Lee e Roberto de Carvalho (1982) e Bombom (1983). A eles seguiram-se muitos outros. Os maiores hits de Babilônia foram Miss Brasil 2000 e Jardins da Babilônia. Do Rita Lee de 1979 os grandes sucessos foram Papai Me Empresta o Carro, Chega Mais, Arrombou a Festa II, Mania de Você e Doce Vampiro. A canção Mania de Você tocou insistentemente em um comercial de TV do jeans Ellus. Meio mundo ficou escandalizado com as cenas de um casal tirando a roupa em uma piscina. Em 1980, Rita emplacou Baila Comigo, Ôrra meu, Lança Perfume e Nem Luxo, Nem Lixo. Mais tarde, uma versão instrumental de Baila Comigo abriria uma novela de mesmo nome na Globo. Lança Perfume foi o nome de um show que percorreu o Brasil inteiro. As músicas mais tocadas de Saúde, de 1981, foram Mutante, Banho de Espuma, Atlântida e Saúde. Rita Lee e Roberto de Carvalho, de 1982, foi outro grande sucesso. Flagra e Vote em Mim foram os maiores hits. Finalmente, Bombom emplacou On the Rocks (com um dos melhores solos de guitarra do rock brasileiro) e Desculpe o Auê.
O presidente da República era João Batista Figueiredo quando o Rita Lee de 1980 foi lançado. Os assuntos mais discutidos daquele ano foram os jogos olímpicos de Moscou, as greves no ABC e a visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Rita deve ter acompanhado as notícias sobre a turnê do papa. E quem não acompanhou? Nada, porém, chamou tanto a atenção quanto a morte dos ex-Beatles John Lennon. Foi um choque. Lennon foi assassinado por um maluco na porta do prédio onde morava.
Entre gravações de clipes, entrevistas e shows, Rita deve ter ouvido muito sobre a apresentação do cantor Frank Sinatra no Maracanã e sobre a nova grande estrela da MPB: Fagner. O cearense Raimundo Fagner era muito popular na época. Noturno, uma de suas músicas abriu a novela Coração Alado, da saudosa Janete Clair. Outra estrela que arrebentou nas paradas foi Gal Costa. Chico Buarque revoltou as “Genis” brasileiras. Elas ficaracam indignadas com a música Geni e o Zepelin, cujo refrão era “Taca pedra na Geni/Taca bosta na Geni/Ela é feita prá apanhar/Ela é boa de cuspir”.
Um dos maiores sucessos da TV naquele ano foi o MPB 80, transmitido pela Rede Globo. Dezenas de compositores e cantores participaram do festival. Ao final, a música vencedora foi Agonia, cantada por Osvaldo Montenegro. Que faturou o segundo lugar foi Amelinha, com a música Foi Deus Quem Fez Você. Jessé não chegou nas primeiras colocações, mas foi agraciado com o prêmio de melhor intérprete masculino e ainda botou Porto Solidão nas paradas de sucesso.
Baby Consuelo foi outra cantora popular em 1980. Menino do Rio, uma composição de Caetano Veloso, tocou na abertura da novela Água Viva. A abertura de Olhai os Lírios do Campo, transmitida às 6h00 da tarde, foi musicada por Fábio Jr. e Chega Mais, do horário das sete, por ninguém menos que Rita Lee.
Em 1980, o Brasil inteiro se perguntava quem matou o personagem Miguel Fragonard, da novela Água Viva. Tinha ódio de J.R., o vilão do seriado norte-americano Dallas. E as crianças conheceram um personagem chamado Bozo, escalado para comandar um programa infantil na TVS.
No cinema, as maiores bilheterias foram: A Lagoa Azul (com a adolescente Brooke Shildes), Em Algum Lugar do Passado (estrelado pelo ex-Superman Chrystopher Reeve), Fama, e Bye, Bye Brasil. O Império dos Sentidos, do japonês Nagisa Oshima, com suas cenas de sexo explícito, atiçou a curiosidade dos cinéfilos e a ira dos conservadores.
Rita provavelmente não dispunha de muito tempo para ler. Se leu alguma coisa, provavelmente foi O Que é Isso, Companheiro? do ex-exilado político Fernando Gabeira. Ou, quem sabe, deve ter folheado O Crepúsculo do Macho, do próprio Gabeira. O fato é que boa parte do Brasil leu Fernando Gabeira, Jorge Amado, Frederick Forsyth, Fernando Sabino e Alfredo Syrkis.
Não sei se Rita se Rita Lee fumava ou bebia. Se fumava, deve ter experimentado o cigarro Galaxy, o mais vendido na época. Se bebia, provavelmente degustou a vodca Eristoff.
A garotada de 1980 consumiu o jogo eletrônico Genius em massa. A mão-biônica, uma espécie de mão de brinquedo, também vendeu como água. As meninas gostavam de bonecas em miniatura como a Fofolete e a Miudinha.
Rita não deve ter dado muita bola para os Genius. Na intimidade, ela se distraía assistindo o Jornal Nacional na TV National Panacolor. Ou teria sido Philco? Ou Sharp, outra marca popular no início dos 80?
Os produtos mais vendidos para o lar eram grills. A lavadora de roupas Lavínia foi bastante popular. A marca de geladeiras Frigidaire tinha muita saída em redes de lojas como Mappim e Casas Bahia. Entre os aparelhos de som, os campeões de vendas eram os das marcas National, Philips, CCE e Polyvox.
Os maior modismo de 1980 foram os patins. A tanga e o topless causaram furor nas praias (Alguém lembra de Fernando Gabeira usando tanga?). Os óculos de sol Porsche e Carrera também foram hits. Mas nada comparado com os patins! Nem as pulseiras Sabona venderam tanto. Exércitos de patinadores tomaram a orla carioca e as calçadas de São Paulo. Patinadores apareceram no clipe da música Xanadu, de Olivia Newton-John, e de Lança Perfume de Rita Lee. Aliás, a própria Rita aparece de rodinhas nos pés.
O LP Rita Lee vendeu mais de 400 mil cópias. A turnê Lança Perfume lotou casas de shows. Uma das mais cheias foi o Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. Rita foi convidada para fazer comerciais de TV, estrelar especiais na Globo e fazer shows no exterior. E assim tem sido nos anos seguintes. Rita nunca saiu de moda. O ano de 1980, com suas modas e modismos se foi, mas Rita Lee continua.

29/10/2009

BALAS, PIRULITOS E SORVETES QUE DEIXARAM SAUDADES


Você participa da comunidade "Eu engasguei com bala Soft" do Orkut? Ela existe e faz alusão às balas redondinhas da marca Soft, uma preferidas da garotada dos anos 70. Vinha nos sabores laranja, limão, cereja, abacaxi, morango e uva. As balas Soft tinha grande aceitação, assim como os...

DROPS DULCORA - os drops Dulcora tinham vários sabores, todos na mesma embalagem. A gente dificilmente sabia qual era o próximo sabor.

BALAS CHITA - vinha com o desenho da famosa macaca do Tarzan na embalagem.

CHICLETES PING PONG E PLOC - Concorrentes, os chicletes Ping Pong e Ploc tinham poucos sabores. Costumavam vir com figurinhas como a dos heróis Marvel da Ping Pong.

DADINHO - Bala de amendoim em formato quadrado e embalagens individuais. É vendido até hoje.

BALAS JUQUINHA - Tinha vários sabores, inclusive de banana. Era grudenta e vinha em embalagem de papel, que sempre grudava na bala. A marca existe até hoje, com a embalagem de plástico como diferença.

PIRULITOS ZORRO - Pirulito grudento, de sabor caramelo, com formato retangular, que vinha com o desenho do famoso herói mascarado na embalagem.

GOTAS DE PINHO ALABARDA - De sabor marcante (eucaplipto), as gotas de pinho Alabarda vinha em embalagens verde e papeizinhos com diferentes mensagens.

SUPRA SUMO - Vinha dentro de uma caixa verde e branca, unicamente no sabor limão. Mais tarde, foi lançado o sabor laranja.
SORVETES GELATTO - A Gelato comercializava diversas marcas, sendo a mais famosa o Gelato. Outros sorvetes da Gelato bastante populares eram: Gol, Disco, Tubarão e Fura bolo (no formato de uma mão com o dedo indicador levantado).

BALAS DE LEITE KIDS - Era uma das mais populares entre as crianças. Não tinha um formato definido e era embalado em plástico transparente. Grudava mais nos dentes do que as balas Juquinha. É, certamente, a bala que deixa mais saudades. E nem tanto pelo sabor marcante, mas pelo jingle que sempre ouvíamos no comercial da TV. Detalhe: a música foi ouvida até 1985, quando saiu definitivamente do ar.

Roda, roda, roda baleiro, atenção!
Quando o baleiro parar, põe a mão.
Pegue a bala mais gostosa do planeta,
Não deixe que a sorte se intrometa.

Bala de leite Kids,
A melhor bala que há.
Bale de leite Kids,
quando o baleiro parar.

27/10/2009

AS NOVIDADES DOS ANOS 60


A principal novidade dos anos 1960 foi a chegada do primeiro humano à Lua. O primeiro passo foi dado pelos soviéticos, em 1961, quando enviaram o primeiro homem ao espaço. Outra grande novidade foi o surgimento de um grupo chamado The Beatles. Depois deles a música nunca mais foi a mesma.
Você poderá conferir nas próximas linhas, algumas novidade que surgiram a partír de 1961, começando, obviamente pelo envio do primeiro homem ao espaço.


1961
- O russo Yuri Gagarin é o primeiro homem a ser enviado ao espaço;
- começa a construção do muro de Berlim.

1962
- John Glenn é o primeiro norte-americano a ser enviado ao espaço;
- Brasil ganha a Copa do Mundo do Chile;
- lançamento de Love me Do, o primeiro disco compacto dos Beatles;
- o USS Savannah é o primeiro navio mercante do mundo movido a energia nuclear;
- surge o hovercraft;
- surge o Learjet.

1963
- Sidney Poitier é o primeiro negro a ganhar um Oscar;
- os soviéticos enviam a primeira mulher ao espaço;
- a brasileira Ieda Maria Vargas conquista o título de miss Universo;
- surge o telefone de tecla com toque eletrônico de discagem;
- gravador cassete;
- câmera Informatik, da Kodak;
- transfusão de sangue pré-natal;
- transplante de pulmão.

1964
- Surgimento da OLP - Organização para Libertação da Palestina;
- golpe militar no Brasil;
- lançamento do jornal Zero Hora em Porto Alegre;
- trem-bala entre Tóquio e Osaka;
- automóvel Ford Mustang.

1965
- Estréia na TV o programa Jovem Guarda;
- a TV Globo entra no ar;
- Mary Quant lança mini-saia;
- aspartame;
- lentes de contato gelatinosas.

1966
- Início da Revolução Cultural na China;
- movimento Black Power nos Estados Unidos;
- início da publicação do Jornal da Tarde;
- cartão de crédito Mastercharge (conhecido mais tarde como Mastercard);
- cabos telefônicos de fibra ótica.

1967
- Na África do Sul, é realizado o primeiro transplante do coração;
- estréia, na TV Record, o humorístico A Família Trapo;
- é publicada a primeira edição da revista Rolling Stone;
- relógios de quarzo;
- forno de microondas comerciais;
- testes de bafômetro para motoristas;
- mísseis balísticos de ogivas múltiplas.

1968
- Ocorrem protestos estudantis em diversos países;
- estréia da peça Hair, na Broadway;
- laringe artificial;
- disco de platina (Wheels of fire, do Cream, vende um milhão de cópias)

1969
- Chegado do primeiro humano à Lua;
- ocorrer o mitológico Festival de Woodstock;
- em São Paulo, entra no ar a TV Cultura;
- surge o semanário O Pasquim;
- prêmio Nobel de economia;
- vacina contra a rubéola;
- avião a jato Jumbo, da Boeing.

1970
- Brasil é campeão da Copa do Mundo do México;
- maratona da cidade de Nova York;
- metrô na cidade do México;
- divórcio na Itália;
- loteria esportiva no Brasil;
- World Trade Center, em Nova York.

26/10/2009

OS DESENHOS DE HANNA-BARBERA


Quais eram melhores, os desenhos da Disney ou os de Hanna-Barbera? Meus coleguinhas de infância juravam que eram os dos estúdios de William Hanna e Joseph Barbera. Embora achasse a comparação sem sentido, eu apostava nos desenhos da Walt Disney. O que vinha à mente eram clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões, Os 101 Dálmatas, A Bela Adormecida, Dumbo, Cinderela, Pinóquio e o inesquecível Fantasia. Mas a verdade era que a maior parte dos desenhos da Disney tinham sido produzidos para o cinema, enquanto os de Hanna-Barbera, para a TV.
Os desenhos de Hanna-Barbera foram transmitidos por diversas emissoras em diferentes horários. No horário do almoço, eram transmitidos no Globo Cor Especial (“Não existe nada mais antigo/Do que cowboy que dá cem tiros de uma vez...”), da Globo. Nos finais da tarde (antes do surgimento dos jornalísticos locais como o SPTV), a emissora costumava exibir desenhos como A Formiga Atômica, Esquilo Sem-grilo, Elefantástico, Xodó da Vovó, Treme-Treme, Zé Buscapé, Lula Lelé, Careta e Mutreta e Feiticeira Faceira. Mas eles não eram os únicos. Vieram apenas se somar às inúmeras produções da Hanna-Barbera, transmitidas no Brasil desde a década de 1960. Veja a seguir, uma lista desses desenhos que, a bem dizer, são verdadeiros clássicos. E que deixam saudades, não apenas dos personagens, mas de nossa infância.
(Um detalhe importante: alguns ainda são exibidos por emissoras como SBT.)

SCOOBY DOO
OS FLINTSTONES
OS JETSONS
VOVÔ VIU A UVA
OS MUZZARELAS
URSUAT
DINO BOY
OLHO VIVO E FARO-FINO
OS IMPOSSÍVEIS
TOM E JERRY
JOHNNY QUEST
A TURMA DA GATOLÂNDIA
TARTARUGA TOUCHÉ
DEVLIN, O MOTOQUEIRO
MOSQUITO, MOSQUETE E MOSCATO
OS BRASINHAS DO ESPAÇO
MISSÃO MÁGICA
SUPER-GLOBETROTHERS
LABORATÓRIO SUBMARINO
AS AVENTURAS DE GULLIVER
LUPE LEBÔ
CORRIDA MALUCA
GOOBER E OS CAÇADORES DE FANTASMAS
MOBY DICK
HONK KONG FU
MAGUILA, O GORILA
O JOVEM SANSÃO
CARETA E MUTRETA
JOÃO GRANDÃO
FAMÍLIA ADAMS
CARANGOS E MOTOCAS
JOSIE E AS GATINHAS
MANDA-CHUVA
É O LOBO
SHAZAN
BICUDO, O LOBISOMEN
OS APUROS DE PENÉLOPE
CHARLIE CHAN
WALLYGATOR
PLIC, PLOC E CHUVISCO
D'ARTAGNAN E OS TRÊS MOSQUETEIROS
FANTASMINHA LEGAL
ROBOBOS
PETER POTAMUS
CAPITÃO CAVERNA E AS PANTERINHAS
GALAXY TRIO
MIGHTOR
FALCÃO AZUL E BIONICÃO
HOMEM-PÁSSARO
A ARCA DO ZÉ COLMÉIA
JOSIE E AS GATINHAS NO ESPAÇO
JUCA BALA E ZÉ BOLHA
URSO DO CABELO DURO
OS CAVALEIROS DA ÁRABIA
FRANKSTEIN JR.
BACAMARTE E CHUMBINHO
PEPE LEGAL
RABUGENTO
O VALE DOS DINOSSAUROS
GODZILA
BAM-BAM E PEDRITA
HO-HO OLIMPICOS
DOM PIXOTE
SPACE GHOST
BIBO PAI E BOBI FILHO
MATRACA E FOFOQUINHA
OS HERCULÓIDES
LEÃO DA MONTANHA
COELHO RICOCHETE E BLAU-BLAU
CLUE CLUB

23/10/2009

JOE, O FUGITIVO E OUTROS BICHOS


Você lembra do cão pastor-alemão, Joe? Aposto que não. Mas muita gente lembra muitíssimo bem, principalmente meus vizinhos que encontraram um cão parecido na rua e o batizaram de… Joe.
Joe foi protagonista de uma série de TV norte-americana (“Run, Joe, Run”, no original) transmitida pela Rede Globo nos anos 70. Contava a história de um cão pertencente a uma organização militar chamada K-9 (acho que já vi esse nome antes!) que fugiu depois de ser acusado de atacar seu treinador. Na verdade, Joe sentiu que podia ser sacrificado e, para escapar do seu destino, acabou fugindo. O único personagem que acreditava na inocência de Joe era Sargento Corey, que o procurou durante muito tempo. Sgto Corey sempre estava a um passo de encontrar Joe, sem nunca consegui-lo. Consta que eles se encontraram na segunda temporada, da qual não tenho informações se foi transmitida no Brasil.
O pastor-alemão Joe foi apenas um entre muitos animais que nós amamos na TV. Antes dele, dois outros pastores-alemães tinham feito sucesso no Brasil: Rin Tin Tin e Lobo. Rin Tin Tin foi o cão do cabo Rusty, o jovem adotado pelos soldados de um forte no interior dos Estados Unidos. Lobo, muita gente deve lembrar, era o nome do cão do personagem principal da série brasileira O Vigilante Rodoviário.
Outro cão inesquecível é Lassie. A popularidade da collie Lassie chegou a um ponto que ela protagonizou longa-metragem e até desenho animado.
Outros animais que amamos e não esquecemos: Silver (o cavalo de Zorro), Clarence (o leão do seriado Daktari), Chita (a chimpanzé de Tarzan, o eterno homem-macaco) e Flipper (golfinho personagem do seriado de mesmo nome).

22/10/2009

NEY MATOGROSSO E O SECOS & MOLHADOS


Em sua edição de segundo aniversário - lançada em outubro de 2007 -, a revista Rolling Stone Brasil publicou uma entrevista com Fausto Silva, o Faustão. Trata-se de uma entrevista interessante, que conta parte da trajetória e expõe um pouco das opiniões do conhecido apresentador de TV. Mas eu não queria a revista por causa da capa, mas pela relação dos 100 maiores discos da música brasileira.
Para minha surpresa, o júri da Rolling Stone elegeu Acabou Chorare, gravado pelos Novos Baianos, como o melhor disco de todos os tempos. Eu esperava que fosse a criação coletiva Tropicália ou Panis et Circensis - que, aliás, faturou o segundo lugar. Mas a maior surpresa foi o quinto colocado: Secos & Molhados, de 1973.
Na minha opinião, o Secos & Molhados foi um dos mais revolucionários grupos de MPB. Suas músicas representam muitíssimo bem o que foi aquele início de década de 70. Ney Matogrosso e os demais integrantes do grupo ganharam o público e a crítica com canções bem feitas e difíceis de esquecer. Quando criança, eu escutava a música O Vira com assiduidade. Mas foram Rosa de Hiroshima e Amante Latino que transformaram-me em fã do grupo. De vez em quando, ouço Amante Latino em Mp3. Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad usavam maquiagem carregada e plumas que lhes conferiam um visual andrógino. Com seus rebolados, Ney era a androginia em pessoa. Mas quem ligava para isso? A maior parte do público caiu de amores pelos Secos & Molhados. A agenda de shows do grupo estava sempre cheia. Em uma ocasião, ele lotaram o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.
Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes, Tom Jobim, João Gilberto, Jorge Benjor e Tim Maia encabeçam a lista dos cantores mais citados pela Rolling Stone. Caetano, por exemplo, teve cinco discos eleitos pelos críticos da revista. Sem contar o Panis et Circenses, feito em parceria com Gil, Os Mutantes, Gal e outros artistas. Nenhum disco de Ney Matogrosso foi citado. Sepultura e Ira! ficaram na frente. Mas Ney participou do Secos & Molhados, gravou trilhas de novelas, teve várias músicas nas paradas e nunca saiu de moda. Já sessentão, continua gravando e fazendo shows por aí.
Ney nasceu Ney de Souza Pereira no atual estado de Mato Grosso do Sul (na época, havia apenas um Mato Grosso). Antes de decolar como cantor, se inscreveu na aeronáutica, trabalhou em laboratório de patologia e até tentou ser ator. Como o Secos & Molhados teve vida breve, Ney ingressou logo na carreira solo, lançando o primeiro disco em 1975. O sucesso, no entanto, demorou um ano para acontecer. Veio com o LP Bandido, lançado em 1976. A partír de então, Ney viu várias gravações suas tocarem nas rádios e em programas de TV como o Fantástico. A música Pecado Rasgado (que, aliás, deve se chamar Não Existe Pecado ao Sul do Equador, ou algo assim) foi tema de abertura da novela de mesmo nome. Vida, Vida abriu a novela Jogo da Vida. Os outros sucessos de Ney foram Homem com H, Por Debaixo dos Panos, Pro Dia Nascer Feliz, Corazón Bandido e Vereda Tropical

21/10/2009

GÍRIAS DOS ANOS 70


Se você viveu os anos 70, responda rápido: o que significa "à beça"? E "pra chuchu", o que quer dizer? Se acertou as respostas, você não somente aproveitou como recorda bem daqueles anos deliciosos. Você realmente está "por dentro" e continua "prá frentex".
A seguir, você poderá conferir outras palavras e gírias usadas no período 1970 e 1979. O detalhe é que algumas são usadas até hoje.
Aliás, "à beça" e "prá chuchu": tem o mesmo significado. Querem dizer muito, bastante.

Abafar - chamar a atenção
Aprontar - arranjar confusão, o mesmo que sacanear
Barra limpa - tudo bem, tudo certo
Barra pesada - pessoa ou situação difícil de lidar ou perigosa
Bicho - pessoa amiga, pessoa companheira. Equivalente ao "brother" de hoje
Bidu - pessoa esperta
Bronca - mal-humor, repreensão
Careta - pessoa conservadora
Curtir - aproveitar uma situação dada como boa
Dar um "taime" - aguardar um pouco, esperar
De montão - muito, em grande quantidade
Desligado - distraído, fora de si
Estar por dentro - ser atualizado, estar bem informado
Falou e disse - concordo, disse bem, disse o que tinha que dizer
Fera - aquele que é bom ou se sai bem em uma atividade
Figura - sujeito diferente, pessoa excêntrica
Forçar a barra - provocar uma situação
Gamado - apaixonado
Grilado - desconfiado, em dúvida
Maior barato - sensação boa, o mesmo que legal
Manjar - entender, compreender
Na minha - ficar observando e quieto, sem se meter na conversa ou situação.
Na sua - idem, só que era usado para se referir a outra pessoa
Papo furado - conversa sem sentido, conversa que não vai a lugar algum, mentir
Prá lá de Marrakech - ficar bêbado, chapado, drogado
Russo - difícil, complicado, situação ruim
Trampo - trabalho

16/10/2009

GIBIS MAIS DO QUE ANTIGOS


Você, com mais de 40 anos, lembra de quais gibis comprava na banca? Lembra dos títulos que costumava ler quando criança? E dos álbuns de figurinhas, recorda de algum? E das coleções da Abril Cultural?
Eu, que hoje estou com quase 45, lia muito os gibis do Maurício de Souza quando criança. Eram os anos 1970. O Brasil lia Manchete, Veja, Quatro Rodas e Placar. Revistas de fotonovelas como Sétimo Céu e Grande Hotel eram muito populares. Entre os álbuns de figurinhas, o Galeria Disney foi o mais vendido. Para ser exato, o Galeria virou febre na época. As coleções da Abril Cultural faziam grande sucesso. A mais vendida da história da AC foi a Conhecer, mas Bom Apetite, Medicina e Saúde e Enciclopédia do Estadunte não ficavam atrás.
Além dos quadrinhos da Turma da Mônica, a garotada dos anos 70 apreciava os da Disney. Pato Donald, Tio Patinhas, Zé Carioca e Almanaque Disney eram os títulos mais comprados. Só que a editora Abril, que publicava Maurício de Souza e Disney, não reinava sozinha. A concorrência era forte e contava com as antigas editoras Vecchi, Ebal, RGE (Atual Editora Globo) e Bloch.
A Rio Gráfica e Editora – RGE publicava gibis como os do Fantasma. Por sua aceitação, o Fantasma acabou virando álbum de figurinhas. Mas, o album e os quadrinhos de maior vendas foram os do Sítio do Pica-pau Amarelo. Na época, a Rede Globo transmitia uma adaptação da famosa obra infantil de Monteiro Lobato.
A Bloch costumava publicar gibis de terror e super-heróis. Títulos como Homem-Aranha saiam em preto e branco pela editora da revista Manchete.
Entre os gibis vendidos nas bancas do período estavam: Brucutu, Tininha, O Gordo e o Magro, Pimentinha, Recruta Zero, Sobrinhos do Capitão, Riquinho, Asterix, A Pantera Cor-de-rosa, Princípe Valente, Satanésio, Brotoeja, Heróis da TV (com os personagens de Hanna-Barbera), Frajola e Piupiu, Bolota, Fix e Fox, Bolinha, Luluzinha, Os Sobrinhos do Capitão, Gasparzinho e Brasinha.

O QUE FAZÍAMOS EM 1985


1985 foi o ano do primeiro Rock in Rio. Se apresentaram no mesmo festival cantores como James Taylor, Nina Hagen e grupos como AC/DC, Whitesnake e Iron Maiden.
Um dos patrocinadores do evento foi a cerveja Malt 90, que, aliás, não demorou muito para desaparecer do mercado. O Rock in Rio foi assunto de capa da revista Veja, virou especial da Rede Globo e assunto nas rodinhas de conversa juvenis.
Foi pelo Rock in Rio que o Brasil tomou conhecimento dos “metaleiros”, tribo que adorava (e ainda adora!) ouvir bandas de heavy metal como Iron Maiden, Judas Priest, Blcak Sabath, AC/DC, Scorpions e Manowar, entre outras. Em São Paulo, os metaleiros costumavam se reunir na Woodstock Discos e na Grandes Galerias – também conhecida como Galeria do Rock.
Em 1985, o cantor Michael Jackson ainda desfrutava do sucesso do disco Thriller, lançado três anos antes. Em parceria com Lionel Richie, Michael compôs a música We Are The World para ajudar as vítimas da fome na África. Para levar a cabo o projeto, convidaram alguns dos maiores icones da música norte-americana da época: Bob Dylan, Bruce Springteen, Kim Carnes, Cindey Lauper, Tina Turner, Steve Wonder, Kenny Rogers e Bob Dylan, entre outros.
Bruce Springteen ocupava as paradas de sucesso com as músicas Born in USA, Glory Days e Dancing en the Dark.
O grupo Menudo conquistou um mar de adolescentes com hits como Não se Reprima e If You not Here. A menudomania lotou estádios, dominou as rádios e vendeu dezenas de produtos com a marca dos meninos de Porto Rico.
O rock brasileiro vivia um grande momento. Tanto que as músicas hits do verão foram do Óculos (do Paralamas do Sucesso), Inútil (Ultraje a Rigor) e Será (Legião Urbana).
Os filmes que mais bombaram no cinema foram Rambo II – A Missão, O Exterminador do Futuro e Amadeus. Entre os filmes brasileiros, os campeões de bilheteria foram Os Trapalhões no Reino da Fantasia e A Filha dos Trapalhões.
Na TV, Roque Santeiro se transforma numa das novelas de maior sucesso de todos os tempos.
As notícias que mais deram o que falar foram a morte repentina do recém-eleito presidente Tancredo Neves e o terremoto que sacudiu a Cidade do México.

15/10/2009

SAFIRI E OS DESENHOS JAPONESES DA DÉCADA DE 70


A Princesa e o Cavaleiro fez grande sucesso no Brasil nos anos 1970 e início dos 80. Pode-se dizer que é um clássico da animação japonesa. Criado pelo desenhista de mangás e empresário Osamu Tezuka, a Princesa e o Cavaleiro foi publicada em mangá a partír de 1953. Em 1967 foi transformado em anime e vendido para diversas partes do mundo, Brasil inclusive.
A Princesa e o Cavaleiro contava a história da princesa Safiri, impedida de herdar o trono de seu país (o Reino de Prata) por ser menina. As leis determinavam que somente os homens pudessem assumir a coroa. Em sua tentativa de herdar o trono, Safiri assume a identidade de menino, segredo compartilhado por poucos, inclusive seu amigo e “anjo da guarda” Ching. Entre os vilões estavam o Duque Duralumínio e seu atrapalhado auxiliar Naylon.
Osamu Tezuka foi um dos principais responsáveis pela popularização dos mangás, os tradicionais gibis japoneses. Seu primeiro grande sucesso foi Kimba, o Leão Branco (de 1950). A ele, seguiram-se Astro Boy, a Princesa e o Cavaleiro e outros menos conhecidos no Brasil.
As aventuras de Safiri foram transmitidas pela TV Record e TVS. Quase na mesma época, foram exibidos Guzula, Fantomas, Super Dínamo, Kimba, Astro Boy e o mega-sucesso Speed Racer. Já pelo final dos anos 70, a garotada conheceu a versão japonesa de Pinócchio e as histórias de Marco e Heidi.